Entre folhas ... Brisas de prata ...

No eco da tua voz encontro
O sentimento que me alberga,
Acariciando os sonhos,
Próximos,
No longínquo,
O desamor vai-se
Entre dias e cinzas.

Não atinge a minha vista
Tanto horizonte,
Nos meus pensamentos
Da tua vida faço a minha.

Sem que tu o saibas
Acendes a minha alma,
Tempo é de voltar a crer
Na oração sem medo
Que pronuncio a cada noite.

Enquanto nomeias-me,
Sonhos de prata,
O teu alento
Refresca as minhas costas
E,
Levantam-se
Sonhos de magia,
Que estão por sonhar.

Beijos
J.

Entre folhas ... Reclamo-te …

O agridoce sabor dos teus peitos,
As minhas mãos moldando as tuas formas,
A conjunção do teu ponto de Vénus,
O ponto exato de onde saltas,
Da realidade ao desejo.

O pronome que te diz que te amo,
A cúspide do teu pensamento,
O verbo primitivo e sincero
Nisso pensas,
Em minhas mãos o teu sexo,
Enquanto isso, excito-me,
Os meus lábios reclamam-te.

E não te encontro.
Onde te escondes
Mulher de fogo?

Beijos
J.

Entre folhas ... Mutuamente ...

Após roubar-nos o alento
Mutuamente,
Entre caricias e beijos
Depois das nossas mãos
Terem saciado o desejo
Teu, meu, nosso,
Mutuamente,
Após tanto tempo
Sem saborear o universo
Dos corpos,
depois...
Após germinar
Voltaremos a roubar-nos
O alento
Teu, meu, nosso,
Nada é tão longínquo
Como a tua lembrança,
Nem tão grato para o meu corpo,
Que as minhas mãos acariciando
O teu peito,
Mutuamente…

Beijos
J.

Entre folhas ... Tremor nas mãos ...

Sempre fica o tempo de pensar,
Ao pensar que amanhã sobrará
Tempo,
Enquanto pensamos,
O tempo escapa-se-nos das mãos,
Enquanto amamos.

Costuma desaparecer o desassossego,
Esse tremor nas mãos,
Essa inquietude no peito,
Que nos oprimia ontem.

Um suspiro leve
Vai-se em lembranças
No que fui,
E não cheguei a tempo,
Dependendo da vida,
À mesma,
Dependendo do fio,
Do mesmo,
Do pretérito imperfeito
Amar.

Beijos
J.

Entre folhas ... Cama com quarto vazio …

É meu propósito esta noite
Sórdida que se avizinha,
Deixar uma cama
A transbordar de beijos,
Com as suas formas plenas,
Mensagens de querer,
Encaixes de lençóis
Onde deixar o amor eterno.

Num quarto com pouca luz,
Quero amar e seguir a estrela
Encontrar-me-ás
Estendido na seda fria,
Onde os sonhos são eternos.

Como eterna é a vida
Do que vivendo,
Vive morrendo,
Trato de soltar da minha alma
Os encaixes onde habitam,
Os sonhos,
Que nunca se cumprirão...

Beijos
J.

Entre folhas ... Ás de trevo ...

Ontem de ti,
Infundada de alegria,
Coagulaste os instantes dos meus olhos,
Sangraram os meus beijos levemente
No espaço,
A lembrança dos teus passos
Constantes pela minha vida,
O fio da vida em si mesma,
Peregrino amante dos teus olhos,
Recordo-te como és,
Com a convicção de que nada
Tem mudado para sempre,
A lembrança de amor que desfrutamos,
Permanece.

Nada tem mudado para sempre,
No entanto nos teus olhos delatam-te,
Enquanto os meus falam-te,
Nomeando-te,
Só o teu nome permanece à espera
De o ter por perto,
Para o acariciar.

Encarcero-me no abismo do tempo,
E espero-te,
Sem sangrar o as de trevo.

Beijos
J.

Entre folhas ... Suores nocturnos ...

Arrepia-se a minha pele,
Atravessando noites na tua ausência,
Adagas e punhais traem
E não deixam sanar
As cicatrizes da minha alma.

Títeres penduram-se nos meus sonhos,
Ingratas presenças,
Pendurados de uns fios invisíveis,
Sujeitam-me,
Coagula-me o sangue,
Arrastam-me a um acordar cedo,
Na realidade nocturna das horas
Dos meus passos constantes,
Sou peregrino da tua pele,
A minha pele arrepia-se:
Quando te recordo longínqua e ausente,
Tens deixado de existir,
Os restos da tua pele,
In grávidos voam,
Para a casa do esquecimento,
Sem pretextos.

Demasiado tempo a não lembrança
Das tuas pernas abertas.

Perco,
Demasiado tempo com as letras
Ao descoberto de outro amante.

Beijos
J.

Entre folhas ... As gretas do meu corpo …

Senta-se nas minhas noites,
Caminha de frente ao que chega
Mas vira-lhe as costas ao sentir.

Vozes nocturnas acordam-me,
Decidem deter-me
A vida fica curta por instantes,
Os meus passos constantes difundem-se,
Procuro na noite o calor
Encontro a dor,
No profundo.
O lugar que queria voltar,
Perdeu-se na memória.

Quebradiça é a arma que arrojas
Alboroto do teu corpo
Ainda dizes que me tens,
Esgotador prazer emergente,
Mas nunca tenho sido teu...

Beijos
J.

Entre folhas ... Reclamo-te …

O agridoce sabor dos teus seios
As minhas mãos moldando as tuas formas
A conjunção do teu ponto de Vénus,
O ponto exato onde transitas,
Da realidade para o desejo.

O pronome que te diz: amo-te,
A cúspide do teu pensamento,
O verbo primitivo e sincero
É nisso que pensas,
As minhas mãos no teu sexo,
Enquanto nisso ardo,
Os meus lábios reclamam-te.

E não te encontro.
Onde te escondes,
Mulher de fogo?

Beijos
J.

Entre folhas ... Do momento …

São seus
Os pensamentos do momento
Que nos elevam ao mundo espiritual,
As suas mãos
As que circulam constantes
Pelo mapa do meu corpo,
As suas caricias
As que me fazem descer dos céus,
Até ao infinito inferno,
Os meus pensamentos
Aqueles que a levam
A desejar noites de encontros,
Os meus movimentos
Os que percorrem
As suas costas,
O meu sexo
O que a penetra
Suave,
Lento,
Ou violento,
Sabe bem o que lhe agrada,
Sabe que tem sido descoberta,
Eu sigo o seu caminho
As minhas mãos traçam,
Abrem as portas do seu mundo
Mais intimo
Quando nos damos conta,
Estamos de novo no firmamento.
Onde o mundo espiritual deixa
De ser um conto,
E multiplicam-se os orgasmos
Nas portas do inferno.

Sabe do que preciso,
Faz com que vá ao seu encontro,
E a encontre preparada
Para absorver
O que lhe oferece o meu corpo,
Desde o seu rosto
Até o fundo do seu leito.

Beijos
J.

Entre folhas ... Pressentimentos …

Hoje,
O meu escrito é oração,
Uma súplica, um reverso
Uma nova mensagem,
Para que te chegue, amor
Impercetível e sincero.

Pressinto de novo
Que de esperar tanto,
Morro,
Mas ainda sabendo que te quero,
Espero de novo.

Os meus beijos são sentimentos,
Que saem dos meus lábios
Aproximando-se dos teus peitos
Nus,
Cálidos,
Ternos.

Pressinto de novo
Que este beijo é o primeiro
Mas ainda sabendo que é o primeiro
Mas ainda sabendo que te quero
Escrevo de novo.

O meu escrito é admiração,
Aos teus mornos pensamentos
Os olhos são premonição
Do que assoma primeiro.

Cálida como o sol
Doce em âmbar
Canção de encontro,
Embalos e caricias,
A tua mão espera a minha vida,
Para alimentar de novo
A minha alma adormecida.

Pressinto de novo,
O último beijo
E os primeiros escritos
Desde os meus silêncios.

Beijos
J.

Entre folhas ... Já quisera …

Contra o azul dos teus olhos
Incrustam-se os desenhos dos meus,
Silenciosos,
Já quisesse o sangue das minhas veias,
Nuas,
Rebentar contra a maré do teu corpo,
Valerá a pena recordar,
O idioma do teu amor
Com as minhas mãos manchadas
Das tuas lágrimas,
Já quisesse poder dizer ao mundo
Gritando em voz alta,
Ser ouvido lá no céu,
Que valeu a pena fusionar os templos,
Num Deus só,
Que não foi em vão
Que se fusionaram sangue e sémen.

Já quisesse que se alguma vez prejudiquei,
Se soubesse que não quis,
Burlando-me do tempo,
Já quisesse que os teus olhos,
Agora,
Nada visse do que meus olhos desenham,
E a propósito,
Vejo o que os teus olhos desenham.

E fujo...

Beijos
J.

Entre folhas ... O entendimento …

Com a ambiguidade que me caracteriza
Ser tudo ou não ser nada,
Ou ambas simultaneamente,
Sou Deus Sou Demónio,
Anjo ou querubim,
Vácuo ou plenitude,
Fogo ou terra,
Escuridade ou luz,
Brisa ou tormenta,
Relâmpago ou raio.

Com a forma de dizer que a poesia
É uma máscara que utilizamos
Que outros tratam de desmascarar,
Escrevo em pensamento,
Medito por baixo dos choupos,
Na brisa,
A lembrança assume,
Aqui de novo
E trespassa os meus próprios
Pensamentos, sem pensar
Nos outros que também pensam,
Caminhando
Livremente e sem complexos de escrita,
Não estou presente,
Não vejo o que escrevo,
Essa ambiguidade
Em permanente luta
Faz com que lance no ar,
Estas palavras,
Esta escrita,
E quem a recolha
Forme a sua opinião,
Tendo em conta
Que hoje caminho disfarçado de falso poeta,
O que sou,
Um eterno apaixonado
Das letras e da palavra.

Palavra para assentir,
Ou para divergir
Para recolher, ou para lançar,
E cada qual que opine o que queira,
Como eu opino de vocês à minha maneira.

Ambíguo de testamento e nascimento
Permaneço intacto ao pensar alheio,
E amarro-me
Às minhas próprias consequências
E saibam,
Que o faço de livre vontade
E sem complexos.

Beijos
J.

Entre folhas ... Ao cair da noite …


Ao cair da noite,

Abre-se tempestivamente

Do fundo da minha alma,

A lembrança,
Um itinerário completo,
Um mapa,
Uma geografia,
O vento acariciando o seu corpo
Estendida na areia,
O sorriso nos seus lábios ternos.

O tempo não levou as palavras
Que permanecem a cada noite
Nos meus sonhos,
Sonho com ela,
Assomam lágrimas tímidas
À alva,
E se por vezes esquece-me,
Recordo-lhe que retenho o seu olhar
Aquele amor de outrora,
Transforma-me.
Com a nostalgia próxima,
Com os seus beijos,
O meu olhar finca-se nas lembranças,
E sem dar conta amanheço
Num mar
Sendo ela a orla onde deposito
As minhas ondas
E os meus beijos nos seus lábios.

Beijos
J.

Entre folhas ... Sonhos molhados …

A minha palidez encaixa no seu rosto,
Tímida como nenhuma,
A dor involuntária da sua partida,
Entristece
A tarde fria de inverno.

Deixo atrás,
O olhar de quem amo
Passam as palavras caladas,
Sem nome,
Mulher de pecado inesperado
De um passado amoroso,
Silenciam as tardes
Daqueles que viram,
Temerosas e inquietas as noites,
Dos sonhos que faltam cumprir,
Somando dias,
O prazer vai se derretendo,
Solitário.

Não sei se voar serve para recordar
Ou para deixar cair a tristeza no teu colo,
Têm passado os abraços,
As horas e os dias,
Restam vir,
As realidades,
Enquanto o meu corpo à deriva
Vai ao teu encontro,
Desprotegido,
O tentador contorno do teu corpo,
Com as tuas mãos,
Masturbas a carne,
Que na minha boca
Esteve um dia prisioneira,
Sem correntes.

Um sorriso natural,
Prediz que esse tempo foi realidade,
O tempo não nasce
Com o esquecimento
Se do sonho se alimenta.

Beijos
J.

Entre folhas ... Linhas paralelas …

Detenho-me na estação doida,
Onde o amanhecer se rompe,
Indago entre os sonhos
Que nunca foram,
Invento contos,
Perco-me em labirintos de fumaça,
Espero o comboio seguinte,
Que passa,
Nesta estação de linhas paralelas.

Atrapalha-me o pensamento irracional
Esse que me vem,
Com sobressaltos,
Acolho o primeiro café amargo,
Sento-me no banco dos arguidos,
A minha garganta silencia
O melhor segredo,
Os meus lábios
Pronunciam as minhas visões,
Mítico ou humano
Sempre serei,
Sem pronunciar o teu nome serás livre,
Não acuso ninguém
Nem descrevo a verdade,
O juiz confundido dar-te-á a razão
A que nunca tiveste,
E eu pagarei
O tempo dos pecados compartilhados.

Grávida,
A saudade chora,
O comboio que nunca parte
Não esperará a nossa partida,
Enquanto,
Os amanheceres
Nos recordem o que fomos
Seremos o reencontro,
Dos nossos próprios destinos,
Sem distâncias,
Sem estações,
Que a qualquer lugar nos levem.

Beijos
J.

Entre folhas ... O alento …

Entrega-me o puro alento
Dos seus lábios,
A indolência nobre do seu coração terno,
O brilhante olhar dos seus olhos,
A eterna palavra esperada
O verbo feito realidade,
Deixa os imperativos afastados
Os pronomes pessoais
Suspira-os,
Não os diz,
Falando entre nós
É mais do que aparenta,
Tanto,
Tanto e mais,
Que não sei como a nomear.

Acostumei-me a dizer-lhe amor
E o seu amor corresponde-me.
Entregou-se em alento.
... E corpo.

Beijos
J.

Entre folhas ... Madrugadas mornas …

Escreve na noite,
Em solidão,
Da mesma forma que sonha,
Igual ao que ama,
Tem visto amanhecer,
As estrelas,
Tem sentido o vazio dessa solidão,
O frio
Que deixa a noite escura.

Vence a tristeza
E deixa-a passar
Quisesse a tibieza de umas mãos,
A humidade de uns lábios,
A paixão
Colada a seu corpo,
E o amor apertando o coração,
Pensa que pede demasiado
Neste amanhecer,

E eu,
Penso o mesmo...

Beijos
J.

Entre folhas ... Gosto de … Sentir o teu tesão …

Gosto de saber que me lês,
Que as minhas letras não caem no vazio,
Que não morrem,
Num pestanejar de olhos,
Nem ao desligar o blogue.

Gosto de saber que o vives,
Que te transporto
Ao lugar que dos meus sonhos
Ou das minhas lembranças nasce,
Que vestes a pele do protagonista
E sentes,
O que ele sente,
Que vês pelos meus olhos.

Gosto de imaginar que linha a linha,
A tua pulsação acelera,
Com cada palavra,
Com cada frase,
E que o inicio de um parágrafo,
Seja o nascimento de um suspiro,
De um gemido entre dentes,
Afogado,
Oculto de todos e a todos.

Gosto de sentir o teu coração,
Que se acelera sem conta dares,
Que o rubor manche
De vermelho as tuas bochechas,
E que nas tuas veias,
O sangue comece a bulir,
Que os teus peitos ascendam
E baixem,
Ao ritmo acelerado da tua respiração.

Gosto de ver como notas,
Que os teus mamilos se endurecem
E querem romper o tecido que os tapa,
E ficam marcados,
Pequenos mas torturadores,
Mas ainda não torturados
Pelos teus experientes dedos.

Gosto do aroma que emana o teu corpo,
O elixir perfeito,
Que nenhum perfumista
Poderá igualar,
O perfume que me enlouquece
Quando mo dás,
O que aspiro
Até saturar os meus sentidos.

Gosto que notes como o teu sexo se altera,
E ficas inquieta na cadeira,
Enquanto a acção se desenvolve
Ante os teus olhos,
Dentro de ti,
Sentindo cada carícia,
A cada beijo,
A cada traço desenhado
Pelas minhas torpes letras.

Gosto que sintas os teus lábios humedecidos,
Sedenta de outra saliva
Que não seja a tua,
Faminta de outra carne
Que não seja a dos teus próprios lábios,
Enquanto os teus olhos
Percorrem as linhas
E devoras o meu texto.

Gosto que os teus dedos brinquem,
Por baixo da tua roupa interior,
Molhados de ti,
Julgando ser ela,
Vir-se como ela,
A gemer e a gritar como ela,
A forma como separas os joelhos,
Para que as tuas carícias,
Sejam
Ainda mais profundas,
Para chegar
Onde o meu sexo chega,
Para que a corrente
Entre o texto e o teu tesão,
Seja o curto-circuito dos teus sentidos.

Gosto que o meu ponto final,
Sejas tu,
Com aquele grito louco e afogado
Baixando a tua mão,
Que onde eu acabo, e,
Tu acabas comigo,
Que vivas o que sonho,
Que sonhes o que vivo.

Gosto que me leias…

Beijos
J.

Entre folhas ... Abusamos, abusando-nos …

Depois do abuso do amor,
Do abuso de beijos,
De palavras,
Do abuso do teu corpo,
E do meu,
Que acalmam a minha paixão,
O meu coração,
A minha alma,
E os meus lábios dormentes,
Quando já nada tenhas a dizer,
Guarda silêncio,
Diz que me amas,
Murmura-me,
E o teu eco chegará a mim,
Como uma lembrança,
Como se da primeira vez
Tivesse sido,
Vamos nos fundir,
Como a tarde na noite.

Sou cúmplice da tarde,
Dos teus lábios e pestanas,
Do teu ardor,
Da tua luxúria e da minha.

Somos cúmplices da linguagem
Do amor,
Que se esconde
Por detrás dos nossos corações.

Quando apagas a luz,
Os teus olhos iluminam,
Abusando-nos.

Beijos
J.