Entre folhas ... Inalcançável ...

Não sei se vais ler, quiçá,
Tu que estás na minha cabeça
Como um eco surdo do meu pensamento,
Sei que estás nele,
Porque neste escrito
Leva a alma da minha ilusão,
Tu.

A tua inalcançável imagem,
É o céu que cobre o meu pensamento,
E os teus lábios acariciam-me
De cada vez que te recordo.

És o sol que aquece o meu pensamento
És a lua que resfria a minha alma.
És água,
És fogo.
És a luz que não alumia,
O meu caminho,
És o sonho
Que preciso esquecer,
És a estrela com maior fulgor no firmamento,
Mas ao estar tão longe,
Mas tão perto dos meus olhos,
Tenho que te esquecer.


Beijos
J.

Entre folhas ... Sonhos ...

Ficam para trás,
Talvez,
Os melhores anos,
O abraço da cada manhã,
A saudade incerta.

Somos muitos os paranóicos,
Que vivemos o presente,
Com um,
"Deixa lá…"
Que não é assim,
Tão verdadeiro,
Porque quando recordamos,
Ainda trememos…

Dorme a musa ensonada,
Dorme o que de dia trabalha,
Dorme aquele que não é o teu sonho,
Dorme em teus sonhos o teu dono,
Dorme a vida nos teus sonhos,
E eu durmo entre os teus sonhos,

Quando não te tenho, vivo sonhando...

Beijos

J.

Entre folhas ... Seduz-me ...

Seduz-me a tua poesia
Convertida em desejo,
Pele contra pele,
Alma contra alma,
Numa dura batalha.

Entre os beijos e abraços,
Deixo a intenção doce
E as manchas de sémen
Nos teus lençóis azuis,
Com a consciência limpa
De ter-te querido,

Sem sentido.
Toda a noite.
E as que nos esperam...

Beijos
J.

Entre folhas ... Interpreto ...

Interpreto
Sons saídos pelo nariz,
Soltando bafos pela sua boca,
Recolhendo o próprio veneno,
De pernas abertas…

Rodeada de enganos,
Luzindo os seus melhores vestidos,
Calçando pensamentos
Que não eram seus…

Sabendo-se quente,
Às vezes mundana
Outras fria,
Passavam assim os seus dias.

Saindo pelo nariz,
Todas as mentiras.

Beijos

J.

Entre folhas ... Ausente a lembrança ...

Se não morro de amor
Morro a cada dia
Querendo-a…

Vivo o ausente
Sonhando que não morro
Vivendo como morto…

Se não morro de amor,
Pressinto que não
A vou voltar a ver,
Pelo menos a minha sombra
Está com ela…

Se não morro de amor,
Ausente a lembrança,
Palpita-me a pele
De tanta a recordar,
E vivo sem os seus sonhos,
Porque ela assim o quer
E eu o aceitei,
Sem contemplações.

Beijos
J.

Entre folhas ... Sonetos ...

Podia desenhar-te
Sonetos
Em todas as partes
Do teu corpo,
Podia ser um vulcão
Em fogo,
Lava incandescente
Que te queimasse,
Coluna erecta
Que penetrasse,
Até ao fundo
Do teu templo
Mais sagrado,
E fazer-te pagã,
Das minhas noites
Consagradas.

E ainda esperas...

Beijos

J.

Entre folhas ... Tormento ...

Inóspito tormento
Entumecido,
Anos sombrios,
Ausentes,
Carícias desaparecidas,
Nestes dias sinuosos,
Caminho,
Lamento e morte lenta,
Desenho-te,
Na sombra,
Que só em mim habita.

Para além,
Sem mim,
Dos prazeres insanos
Contigo,
Sentindo de algum modo
A ignorância,
De te ter conhecido
Fulmino-me lentamente,
E abandono
As lembranças,
Metendo a alma,
Num batido silencioso,
Do meu coração,
Para que nem eu mesmo,
O ouça.

Diz-me onde e que estás,
Porque afinal
Já te foste,
Para sempre
E possa rir-me,
Em altas gargalhadas
De mim mesmo.

Beijos

J.

Entre folhas ... Costumes ...

Acostumar-me
À absurda impotência,
De saber que não és minha,
Às horas de impaciência baldias,
A tua forma de querer,
Que não é a melhor.

Acostumar-me
A encostar-me sobre os teus seios nus,
A tocar a tua pele,
Olhar as tuas costas arqueadas,
A guardar silêncio,
Quando tu te calas,
A tua forma de dizer,
O que eu não quero ouvir.

Acostumar-me
A pressagiar como serão as tuas noites,
E as minhas quando estás ausente
No desgarrar dos meus sentimentos,
Quando não te tenho por perto,
Tenho de me acostumar.

Acostumar-me
Distante do mundo,
Respirar serenidade,
Quando não te tenho,
A gritos afogados
Esconder-me na minha alma,
A dizer palavras,
A imaginar os teus lábios,
Sublimes,
A minha saliva entre a tua púbis,
Nos teus mamilos, também,
Acostumar-me em definitivo.

Acostumar-me.
Aflição, esta do domínio alheio
Respeitando as consequências,

E tu passaste por isso...

Sem o conseguires…

Beijos

J.

Entre folhas ... Princesa da noite ...

Agrada-me olhar a lua,
Em quarto crescente,
Respiro o ambiente
E a poesia,
Cola-se pelos meus poros,
Por mim dentro.

As tuas poesias da meia-noite
Alimentam a minha alma
Nas noites que posso olhar a lua.

Hoje dispo os meus versos
E os meus beijos são para ti,
Princesa da noite,
Lua de todas as estações
Mentora das minhas emoções,
Turbilhão de paixões,
Amor sem nome.

Sem pressagiar o caminho
Um tempo,
Que se nos vai
Num presente infinito.

Beijos

J.

Entre folhas ... Sou água, sou terra ...

Desconfiado infiel
Com mais de uma mulher
Sendo homem
De uma sozinha companheira.

Não preciso de negar
Que quis muitas
Às vezes ao mesmo tempo,
Outras,
Uma a uma…

E com o passar do tempo
Tenho chegado a saber,
Que na realidade
As sigo,
Amando-as a todas.

Depois da palavra amor
Depois de um só querer
Esconde-se uma mulher,
Sozinha,
E vários corações.

Ainda que alguns não o entendam...

Beijos

J.

Entre folhas ... Permanências ...

Os beijos dos teus lábios,
Sabem-me a pouco,
Tens de os dar a tragos,

Entre grades invisíveis
Rodeada de folhas secas e caducas

Permaneces,

Mornos olhos,
Que ao os ver
Vê-se acomodada na lua
Dos dias que pela tua vida
Passaram felizes,

Os beijos dos teus lábios,
Bebem-se a tragos
Como duende trémulo
No fundo dos meus olhos,

Permaneces

Entre grades invisíveis
Rodeada de antigas primaveras
E solidões secas,

Como quem olha o vazio
Esperando ser enchida de orvalho.

E nunca tenho sido teu,
Por completo.


Beijos
J.

Entre folhas ... Envolta em fumaça ...

Envolta em fumaça,
A tua silhueta,
Denotando amor e talvez fastio,
Falando como falas
Com todos os teus sentidos,

Basta-me um olhar
Para compreender que sabes
Ou que soubeste,
Talvez o que imaginas,
Amor de uma noite inquieta

Revolta entre a tua fumaça
E os meus silêncios.

O teu ventre
Não pode receber a semente,
Que tanto desejavas,
Mas o teu corpo
Soube do meu estado
E da minha presença.

Quando mais o necessitava.

Beijos

J.

Entre folhas ... Encontro ...

Encontrou o homem,
Do outro lado do espelho
Estava no eixo do seu quadril,
O epicentro do suor
De uma noite luminosa,
Os seus montes,
As suas pregas,
As suas curvas,
As suas tentações
E no centro
O amor dos seus amores.

E suas flores.

Beijos
J.

Entre folhas ... Madrugada ...

De madrugada,
Luzes ténues,
Ninguém saberá nunca,
A hora exacta,
Talvez nem tu,
Nem eu,
Nem a lua que observava,
O cheiro a rosas junto à almofada,
Olhares cruzados,
Dizem tudo,
Calados,
Uma intuição,
Um beijo ardente,
Baforada,
Mil pensamentos,
A entrecruzaram-se,
Só foi um segundo,
Preciso e certeiro,
Tudo estava em calma,
Menos os desejos.

Ninguém pode culpar,
Quem foi o primeiro
Em tirar a roupa,
Ficarmos nus,
Olhamo-nos devagar,
Pelo corpo inteiro,
Beijar as nossas peles,
Saciar os desejos.
Abraço-te,
Beijo-te,
Acolho-te no meu corpo,
Tens-me,
Tenho-te, beijo-te, tens-me,
Descubro-te inteira,
Vês os meus segredos.

Abatidos e desarmados,
Quiséramos ver-nos,
Cheios de prazer e ternura,
Descansando,
Sobre as horas
Que os teus lábios pousaram
No meu corpo,
E o teu corpo reclamava um olhar,

Pensando no tempo,
Que nossos corpos
Reclamar-se-ão de novo,
Sem darmos conta
Que esse tempo não existe,
Porque o meu corpo
Reclama-te de novo.

Digo o teu nome.

E digo paz.
E sai-me amor,
E amo
Ainda sabendo
Que haverá um amanhecer melhor.

E tu o sabes...

Envolvido entre os teus lençóis
Ignominia dos nomes
Nação do mundo
Amor sem nome.

Caminhamos pouco tempo
O tempo justo,
Para compreender
Que fica muito por dar.
E todo para receber...

Caminhamos...

Beijos

J.

Entre folhas ... Sensações...

Não guardarei o amor
Que não tem sido fiel,
Companheiro,

Das minhas tardes
De estio,

Com as janelas
No meu olhar,
E o olhar perdido
No amor,

Empanarei
As janelas,
E deixarei
Que a ciclotimia
Me abandone,

Pois não há estado
Mais puro para compor,
Que os ciclos dos teus estados,
Impuros.

Beijos
J.

Entre folhas ... Ego ...

Corre o ego
Covarde das horas,
Tem um preço
O beijo que nunca deste,
O amor que sempre escondeste.

Tem um preço,
O desdém dos teus desmaios,
E recaem sobre mim,
Como culpas tenebrosas,
E espelhos partidos.

Tem um preço,
O rosto opaco,
Que nunca descobriste,
O orgasmo fingido,
A infame pornografia
Do teu corpo.

Agora que nós
Nunca fomos,
As silhuetas disformes,
Que imaginamos:

Põem-nos um preço
E ignoramos
O que valemos.

Corre o ego
Covarde das horas,
E a antologia
De uma tentação
Sem nome.


Beijos
J.

Entre folhas ... Hoje, a saudade ...

Hoje,
Precisamente hoje,
Que as minhas mãos
Atraiam a tua calma.

Hoje,

Precisamente hoje,
Que tenho vontade de chorar,
Junto
À tua cama, hoje
Tenho a tua vontade.

...e estás longínqua.

Beijos
J.

Entre folhas ... Infiel ...

Porque vai chegar,
Já não há espera
Nem penso nela,
Ainda que sei que está
Presente,
Em cada instante.

E tarde ou cedo
Interrogar-me
E deixarei seduzir-me
Para sempre.

Ganhei-a na batalha,
De uns anos.

E enquanto,
Doeu tanto a dor,
Da sua ausência...

Que a sigo sendo infiel.
Porque vai chegar,
E já não a espero.

Beijos
J.

Entre folhas ... Rosto nocturno da amante ...

O morno rosto da noite,
Tinha nome de mulher,
De diferentes texturas,
De estrelas coloridas
De beijos encarcerados.

Abertura de uma emoção
Nova e atraente,
Um jardim brilhante,
Um corpo desconhecido
Vontades de amar,
Em corpos felinos.

E souberam amar-se
Como se da primeira vez
Se tratasse, esquecendo
Outros corpos,
E outras noites já passadas.

O seu erotismo incita
A compor um poema,
Enquanto beijam-se
Escrevo a lembrança:

Dos últimos beijos
Nos lábios meus,
E o rosto da
Noite enquanto nos amávamos…

Sem contemplações.

Beijos
J.

Entre folhas ... Sem metáforas ...

O meu sexo, agridoce
Sem metáforas,
Penetra sem fim,
Cavalgando
As raízes mais profundas
Do teu corpo.

Existe um caminho mágico,
Entre o mar e a montanha
E um infinito espaço,
Onde se escondem os actos.

Batem asas,
As borboletas
Entre as nossas pernas
E os teus lábios rosados,
Nos meus lábios
Fazem mel.

Beijos
J.