Entre Folhas ... Diz-me que estás ...

Coleciono luas,
noites de insónia,
orgasmos dormidos
côncavos e convexos
em perfeita sintonia.

Coleciono os limites dos teus contornos,
ainda que não o pareça,
pelas minhas veias corre tinta fermentada,
lírios semeados
a orlas de mananciais,
tinta fermentada
de horizontes perdidos
que nunca voltarão,
porque nunca há
um horizonte repetido,
muda a cor,
o matiz e seus brilhos
como mudam os ventos
repentinos e assírios,
diz-me que estás,
e não voltarei aos contornos
dos corpos perdidos.

Ufa…

Diz-me que estás, e
destruirei as coleções
de lembranças baldias
e irei;
a um lugar sem volta

na vida dos teus olhos.

Beijos
J.

Entre folhas ... Goticulas ...



Pesa-me o amor que nunca tive,
liberta-me o que agora tenho,
dá-me forças, 
impulsiona-me ao voo
de uma vida,
que passa e não pesa,
amando-te.

Beijos
J.

Entre folhas ... interprétético ...

A golpe de marreta 
não me sabem a nada os vocábulos 
esculpidos pela sua boca maldita 
a orla pesada do seu mar, 
nunca tem sido a desembocadura 
retorcida das suas águas sujas, 
nas minhas praias silenciosas. 

Partiu a meio o jogo das palavras 
decomposto o vocabulário 
utilizando duas mil artimanhas
dois mil, os mesmos beijos 
que me propôs, antes de me conhecer, 
e despir-me com as suas palavras. 

Tem violado as minhas verdades, 
com as suas melhores mentiras 
a golpe de marreta,
à contraluz,
à contracorrente, sustentasse. 

E bem sabe... 
que o maior dos templos 
afunda-se, dando no ponto exato 
da equação matemática 
dos seus alicerces. 

Sempre tenho ido ao descoberto, 
ainda quando não conhecia o seu nome 
nem o egoísmo que te embargava

interprétético.

Beijos
J.

Entre folhas ... Insónias ...


Sinto algo como um eco na minha garganta,
Os teus silêncios de infinita alegria aguardam,
nada pode ser como tu,
no tempo, sinto o eco na planície,
ou o eco na montanha.

Nunca tinha conseguido interiorizar-me
num mundo tão rico e tão profundo,
nem posso descrever o que me habita,
se não é desde o eco de tua voz,
é a calidez das tuas palavras na noite,
de tanto simular as possibilidades
o impossível sai derrotado,
burlando o absurdo sonho contigo,
encontro uma realidade próxima
daquela que me habita e que me nomeia,
acende no meu céu labaredas,
e tem-me quando quer.

Na insónia surpreendida que voa
para além das distâncias,
numa trama nítida de lágrimas,
não quero curar-me deste amor por ti,
ainda que te doa a minha dor e não o sintas
guardo os teus instantes,
por dias e meses,
satura-me a ideia analgésica,
de percorrer nestas noites que a dor abunda,
sendo as tuas palavras um bálsamo de amor,
que tudo cura.

Uma insónia que sabe a ti,
à fonte inesgotável do teu amor,
que me dá vida e alimenta.

Ainda que o possa negar….

Beijos
J.

Entre folhas ... Estrelas nas tuas nádegas …



Aturdido por um tempo que não parecesse meu,
abandono-me ao lugar onde o silêncio chora,
em silêncio na tua alcova,
no lugar sagrado
onde os pensamentos voam,
e ao compasso
de um cometa invisível dançam os sonhos,
dançando os meus lábios
ao pensar nos teus beijos.

as madrugadas mornas aqueço-as
com teu alento e saliva fresca de vida,
as noites frias afasto-as
do pensamento
contra as raízes do teu ansiado corpo.

Não existe vertente que no teu ventre
desconheça,
nem me perco nos hemisférios dos teus seios,
o teu corpo é reconhecido nos meus sonhos,
ainda que as estrelas saiam a sentir a noite,
a dançar dois tangos...
entre as tuas nádegas.

ao sentir a noite,
os corpos dançam.

Beijos
J.