Entre folhas ... Falando de ti ...

Amando este sentir que nos une,
silenciando todos os beijos dados,
de cada vez que estás,
e imagino-te
pele translúcida nas minhas costas,
o mesmo amor que alimenta
corpo e alma,
abrindo os sentidos
adivinho-te.

As minhas mãos,
como os primeiros raios
de um amanhecer constante,
trepam pelo teu corpo exuberante,
na quietude da tua essência.

Adivinho-te,
com os olhos fechados,
sem achar palavras para dar-te,
qual bálsamo preciso,
sinto o calor
dos teus espasmos.

Falando dela desconheço-me,
descubro o sentimento
de um batido,
a sombra escarpada do deboche
avizinha-se,
e a noite fica longa,
cai tão longe…

Quando é a ti a quem amo,
As minhas feridas transformam-se.
O verbo dilata-se,
e com o teu nome
faz-se amor,
vibra e estala,
no profundo do meu peito,
abrindo todo o volume,
dos meus silêncios.

Beijos
J.

Entre folhas ... Longe de ti ...

A ausência nunca debilita
o carinho por ti;
ocorre só,
que não vejo o teu olhar,
e parece que me falta
uma parte de mim mesmo.

Não existe tempo, amor
que eu não passe a teu lado,
sentindo,
bater o teu coração,
desde o último encontro
de amor.

Ainda que estejas longe.

Beijos
J.

Entre folhas ... Nas orlas das madrugadas ...

Com a volta infinita ao presente,
tantas intimidades,
desprenderam-se dos nossos corpos,
tantos,
não sei como pude desprender do silêncio,
tantos ocos soltos,
pontos suspensos,
reminiscentes,
pode ser que hoje ao pensar-te,
se altere a minha coluna,
e não me resista,
nem te resistas,
a procurar a nata nívea do meu corpo,
fecham-se as distâncias,
o amor não deve ser a desculpa,
o lobo piedoso,
a droga subtil,
com que encobrir a palavra desejo.

Deve ser o tempo,
a noite fulminante,
a vida,
ela amar,
o sorriso cúmplice compartilhado,
é preciso agarrar o tempo que nos une,
envolvidos juntos no mesmo ar,
nos mesmos lábios,
nas mesmas pregas,
que não ficam,
coladas quando te tenho,
e a nata que procuras
a encontrarás no rosto que te espera,
nos teus olhos,
no mais profundo do teu ser,
ou no fogo dos teus seios,
luxuriosos,
as feridas fecham-se,
com fios que cortam os silêncios,
todas as conversas,
ficam agarradas sobre o corpo.

Sentados sobre a ternura,
ficamos os dois,
abraçando-nos,
como nos abraça a noite,
a orla da madrugada está ao chegar,
e sinto o teu coração,
batendo ao compasso dos meus suspiros,
quando me deixas vazio
e o músculo que te nomeia,
repousa flácido,
sobre o teu corpo,
tanta felicidade,
não é capaz de eliminar os nossos devaneios,
cúmplices...

Beijos
J.

Entre folhas ... A essência do tacto ...

Do tacto perfeitamente recordado,
Guardo a essência,
das suas mãos,
baixo a luz das eternas solidões
cresce o amor que processo,
ingénuo.

Essa minha mania convertida em silêncio,
De ver o nascimento de uma lágrima
aflorada,
No refúgio dos seus olhos radiantes,
Quisesse ir caminhando lentamente
pelo caminho que ela me concedeu,
para transitar sem estragos,
fechar as portas,
e ir onde ela habita,
longe desta vida,
que me parece imprópria,
incongruente,
rodeado de dor que me observa.

Jaz no fundo do abismo lúgubre,
um sorriso que me procura,
e não me encontra,
estou mal,
ou estou bem,
não posso ver-me
quando o sol acaricia-me,
aparecem nos meus olhos
tentáculos que de todas partes chegam,
claros,
escuros,
sem interrupções,
trato nesse momento
de aproximar os seus olhos e os seus lábios aos meus,
e imprimo meu amor
no tacto das suas mãos.

Essas que me acariciam em solidão e silêncio,
e tremo de paixão quando me percorre,
sufocando a dor
da minha alma e do meu corpo
amor de pássaro nocturno
rompendo os meus poemas,
despindo corpos e silêncios,
ela,
sempre ela,
percorre-me quando mais o necessito,
e a minha voz
agradece-lhe eternamente,
tratando de ser verso,
ou ser uma constante,
ou um sussurro de amor,
agora o compreende,
anjo sem final,
e com volta...

Beijos
J.

Entre folhas... Pensar livre ...

Não é livre o pensamento
agarrado ao ar do teu sorriso,
o olhar que atravessa
a minha alma escrava, padece,
reclamo o relativo de tudo
retira-me a pausa dos dias
o momento de nos ter,
nobre é o amor que te processo,
ligeiro,
suave como o vento
não vás,
ao profundo
da causa ou da ausência,
não há ciência real
sentido incerto do sentimento,
assim o meu amor de tanto tempo,
não é livre o pensamento
que silenciosamente reclama
o outro lado da tua cama,
o lado oculto dos desejos
perdesse nas minhas sombras,
uma e outra vez,
tira-me a pena
a roupa,
a pele,
deixa-me a voz
para que no teu corpo
de carne firme e ventre jovem
a deixe gravada,
com amor.

Estou,
enfim,
cheio de tanto e tudo,
sentindo o vazio,
a pausa diária
que paro a descansar sobre o teu peito
invocando a um Deus no meu caminho,
que encha as minhas noites,
todos os dias;
porque são estes os dias,
que não dissipam
os ecos dos teus beijos tão próximos.

Não é livre o pensamento,
mas,
é livre o coração,
que silenciosamente,
ama padece e sente,
o eco da tua voz
feito em palavras próximas,
sem pausas.
Colmam-se os meus momentos entre
a nudez morna dos meus sonhos,
acalmando a alma e o meu espírito.

Beijos
J.

Entre folhas ... Desde o inicio, as opcções ...

Se do amor desprende-se amor
do amor pressente-se um final,
final pensado desde o inicio.

Obtivemos do tempo,
o sentir presenteado da vida,
a entrega digna, fiel, honesta e nobre,
de quem amado,
viverá o tempo necessário,
sem procurar mais tempo que o restrito
preveniram a dois,
a necessidade real de cada um.

No final cada um escolhe,
ainda doendo o sentir vivido,
a melhor opção da sua vida,
de um para o outro,
com amor.

Do amor pressente-se um final
pensado desde o inicio.
um amor ou amar verdadeiro,
com beijos
que perduram na memória.

Mas quando entramos no grande salão
dos espelhos,
dar-nos-emos conta,
do comportamento inato
de nós mesmos.

sem culpas,
nem desculpas.

Beijos
J.

Entre folhas ... Epicentros distantes ...

Intuem-se as linhas do teu corpo,
desenho-te com a minha mão,
cúmplice,
a cada milímetro da tua pele,
enquanto,
os pensamentos se acomodam
entre músculos e sentimentos.

Depois das quimeras,
A minha vida consome-se,
esperando escrevo sobre a minha pele,
as noites e os dias que nunca estive contigo,
cansado de gritar que pouco,
é suficiente,
os meus olhos adormecem onde o teu quadril
atinge a cúspide mais baixa da tua cintura.

Traio o meu corpo,
enganando-o,
fazendo-lhe achar que foi ontem à noite,
quando na realidade já passaram luas
desde o último orgasmo que fizeste meu.

Desenho-te por cima e por baixo,
Gastam-se-me os lápis de cores,
então desenho-te em alvo e negro
os meus lábios vão-te comendo,
a fogo lento,
os teus uma sinfonia em ré menor,
lambendo a nudez das minhas palavras.

Escapando às pausas quando amanhece,
das noites agitadas,
em suspiros alheios
começa um novo dia,
voltando a intuir o teu corpo,
fico sem saliva,
de facto gastei-a na última noite,
de tanto ansiar,
os lábios da tua pele.

Afundo-me suave,
lento, contra o azul,
mais profundo do teu sagrado corpo
perdes-te nas sombras,
e encontro-te,
saboreando-me a pele dos meus instantes
as partes mais distantes do centro
daquela que dizes amar,
o teu epicentro preferido.

Beijos
J.

Entre folhas ... Madrugadas adúlteras ...

São os teus lábios e os meus lábios,
Saudade que não permite,
Viverem tranquilos,
com sossego.
Aprisionando o sonho
das madrugadas claras,
o amor dispersa-se
produzido pelo ar que nos alimenta,
e a vida
resiste a se acomodar,
plácida,
no conhecimento.

Vivemos perguntando pelas respostas,
seduzimos a vida,
o cálido amor do amante silencioso,
agradam-me as tuas pernas,
a sua longitude, ali onde
chegam os meus beijos,
ao norte onde toco os teus cabelos.

No acaso, molha-se de aroma do cruzar
do teu corpo,
reconheço as tuas curvas a minha língua
desata prazeres, do teu corpo tímidos gemidos,
temerosa de que alguém descubra,
a verdadeira beleza que
ocultas no teu interior, que com sigilo guardas,
só transparente aos olhares de quem amas,
e o teu vestido de domingo,
alvo nítido,
colocas-lhe um velo,
para que ninguém intuía quem foi ontem,
dono do teu prazer
e deixou os teus mamilos
em estado de desejos prodigiosos.

Continuamos perguntando pelas respostas,
que não podem expressar-se,
porque esse sentir
não pode mais que alimentar as pessoas que o gozam,
de noite,
adúlteras,
Desço ao teu umbigo que se esconde,
o manjar do amor,
com o teu útero descreves a loucura de espasmos
na passagem da minha vida pela tua,
o neutro da liberdade,
de quem ama sem condições,
e sem considerar as pessoas
que o futuro nos depara,
sem nos importar,
nos alimentamos deste dia a dias
onde o amor renasce a cada madrugada.

Entre os nossos lençóis,
protegemo-nos
das insolências mesquinhas,
e o teu vestido
impede-te de veres o que eu sinto,
ao sentir a tua pele.

Beijos
J.

Entre folhas ... Verdade ...

Verdade que fugi às regras
de amores baldios,
verdade que enquanto foi,
a minha entrega foi total,
verdade,
que quis,
desejei,
o corpo alheio,
o sangue e o fogo,
que me chamava.

verdade que me vi reflectido
em espelhos partidos
verdade que se me desfigurou a alma,
verdade,
não menos verdade que me romperam
parte do meu dócil e sangrado coração.

Tão verdade,
caíram sobre o meu corpo,
mãos que não souberam se reter,
não menos verdade que as minhas mãos não
se reprimiram,
no instante que quis.

verdade que podem chamar-me temeroso,
não menos verdade que sou valente,
por tomar as minhas próprias decisões,
rasgando as regras que não existem.

tão verdade que agora,
cabelos raros
e pesos sobre as minhas costas,
amo,
como não tinha amado nunca,
desejo,
após tanto amor,
após tanto leito,
aprendo a amar de novo,
desde o inicio,
com a lição estudada,
e ninguém é culpado.

Só ela,
que com as suas palavras,
eleva-me ao monte,
onde ninguém subiu,
ela,
que está comigo ainda que não saiba,
ela,
água fresca nos meus lábios,
quando beija sem beijar,
quando sem dizer nada,
cala,
outorga e oferece,
uma sinceridade que não pode ocultar,
ela que com água,
limpa as pregas
mais recônditas do meu corpo,
com umas mãos
que bem parecem,
asas de borboleta,
crisálidas que acendem o meu desejo,
ela que me cobre,
e sustenta o meu amor
sobre a terra,
ela que me ama,
sem me ter escolhido,
nem o ter decidido,
ela que se impregna no meu adentro,
ela que aceita este instante eterno
do agora,
porque assim o admite e aceita.

ela "a vida",
por ter-me escolhido.


Beijos
J.

Entre folhas ... São raízes, são sonhos…

Se achas que tem sido um sonho,
Olhar no profundo do teu ser,
Se achas que não é realidade,
Olha no fundo da tua pele,
Se pensaste que jamais chegaria
A suceder,
Descobre a que cheira
A tua pele,
Se pensaste que não podias
Chegar a crescer,
Olha como cresceste.

Se pensar que o amor é mentira,
Diz-me o que pensas agora,
Se sonhaste comigo alguma vez,
Não interpretes os teus sonhos
Observa a realidade desse instante,
Tu que és a que bombeias
No profundo do meu querer,
Que conheces os meus gemidos de prazer,
Viste os meus olhos,
No anoitecer,
Quando eu vi os teus no amanhecer,
Consumidores de todas as vontades,
Perdi-te em Abril,
Mas chegará o Agosto
E vamos nos abraçar,
Agora já não somos
Estranhos,
Neste mar de solidões,
Somos ondas fundidas no ar,
Que no mar se cruzam,
Amando-se,
Enraizamo-nos com as algas,
O teu nome já conhece o meu amor.

Beijos
J.

Entre folhas ... Procuras e encontros ...

Vivo a vida como em sonhos,
Vivo, e não sei se sonho,
E quando acordo
Não sei se vivo,
Estou a sonhar
Ou talvez esteja a morrer.

Amanhã ficarás plena
Cairá sobre ti todo o amor
Acariciarás a tua pele,
A teu alcance os meus sentidos,
Pelas tuas carnes espalhar-se-ão
Forças que já conheces.

Tempo para contá-lo,
Olhar para captá-lo,
E a incerteza para
Um instante, porque
O tempo não existe.

Vivo a vida como em sonhos,
Vivo, e não sei se é sonho,
E quando acordo
Estou na manhã,
O sentindo.

Procuro-te ainda que não deva,
Encontras-me, procurando-te.

Beijos
J.

Entre folhas ... Amor sem causas ...

O teu efeito reside em mim
é um amar sem causas
casualidade do destino inquieto
amor que não se improvisa.

Fortemente armada
com palavras de amar escudo de versos e rimas,
partem das suas entranhas poemas
que bem parecessem meus,
e não o são,
causa efeitos de amores
ocultos,
O meu mar esta bravio,
só ela apaga a tempestade,
com um simples gesto,
ou melhor sem causas,
ao amar não se lhe põem,
do meu sangue brota, amor
que ela recolhe, funde
com o seu e silencia.
Quando deve, e com as minhas flores.

Beijos
J.

Entre folhas ... Noite cúmplice ...

Noite cúmplice,
De tudo,
Para tudo,
Em tudo,
Empapado de ti,
Estás nas minhas mãos,
Nos meus lábios,
Nos meus olhos,
Na minha língua,
No meu alento,
O teu cheiro.

Cúmplices de uma nova forma de amar,
Onde se deixam levar pelo sentir,
Sem restrições,
Sem preconceitos,
Sem pudores.

Dois corpos na entrega sentem-se,
Moldam-se,
Descobrem-se,
O beijo furtivo sendo preso,
Mas o desejo, o amor e a excitação é experiente.

Tanto desejo contido por tanto tempo,
Que ao encontro essa coragem,
Explode com um simples beijo.

Os teus beijos,
Será que existem outros melhores?
Suaves,
Ternos,
Fortes,
Poderosos,
Intensos,
A excitação nasce tão só ao roçar deles.

Exorbitante excitação
Que a minha mente abandona,
Impetuosa, visto-me dela
E deixo que me arraste a teu corpo.

Descomunal paixão que acorda
No teu olhar,
As tuas carícias,
Os teus beijos,
E o universo que explode,
E só tu e eu fomos responsáveis.

Não me vou…
Ancorada ficaste em mim.

Beijos
J.

Entre folhas ... Caçadora de sonhos ...

Caçadora de sonhos,
Copulando nos teus olhos azuis,
Deixa de doer-me o tempo.

Algum dia voltará à noite
Enquanto estivermos vivos,
Voltarão;

As perguntas de ontem.

Por que te amo?

Caçadora de sonhos,
Pergunta ao mar porque é azul,
Como os teus olhos,
Pergunta ao céu
Pergunta ao ar porque é invisível,
Pergunta aos sentimentos
O porquê dos sentidos.
Pergunta ao Sol porque aquece,
Caçadora de sonhos.

Copulando
Nos teus olhos azuis
Deixa de doer-me a vida,
Por desgraça não te tenho,
No tempo permanente
Caçadora de sonhos.

Quando não estás
Continua doendo-me,
O tempo.

Copulámos juntos
No tempo,
Que duram os sonhos.

Beijos
J.

Entre folhas ... Formas ...

Na pele fina do teu corpo,
Desenho sombras com os meus versos.
O teu corpo alonga-se fazendo
Da noite sonhos.

Como no mito da caverna
Onde se confunde o Sol com as sombras,
E não sei como se
Encontra quieto e imune compondo.

Com estes rastros, cortam-se
Os fios do silêncio, as raízes
Da noite fazem-se longas.

Devem ser as formas,
A beleza do teu corpo
Que a meus olhos nunca muda...

Beijos
J.

Entre folhas ... Pagão ...

Digo-lhe singelamente querida,
Que sou uma pessoa de sentimentos,
Porque Jesus,
Dizem…
Que morreu por nós,
E sinto-o morrer nos meus sonhos,
Debilidades e sonhos,
Quando tenho alguém intimo.

Quando queiras
Falamos de Deuses,
Quando o teu corpo
No meu esteja dentro.

Não é que seja pagão,
É que não entendo as pessoas
Que se luzem num homem,
E em nome de Deus
Em tantos templos,
Em tantas catedrais
Em tanta abundância,
De pedras,
E mistérios.

Sem saber o sentido,
Sem saber como dizem
De sentidos,
De amores e sentimentos,
Pregam em nosso nome,
O que eles dizem, não conhecem,
E dizem que é pecado
Querer assim,
Amar e fornicar,
Sem contemplações.

Por isso não creio nos homens,
Que na divina vontade
Se expressam.
Nem nos homens,
Que falam em nome
Do filho.

E creio no Deus,
Que todos levamos dentro,
Filhos de um mesmo pai.

Tenho momentos
Que prego o amor,
Desde o meu sexo.

Beijos
J.

Entre folhas ... Contornos da noite ...

Na minha noite
Desenho-te,
Percorro lentamente a tua geografia,
Contornos precisos
Do teu corpo,
Espalho no ar
Os teus sabores,
Permanecem inertes
Longas horas,
As tuas palavras
Colam-se-me
Na epiderme profunda
Da pele,
De quem amando,
Ama a pessoa
Que pronuncia,
Nesse estado permaneço
O que dura a noite,
E a noite faz-se longa,
Profundamente intensa.

Não estás ainda que te ame
E tu me sentes,
Como te sinto
Quando amanhece,
Prolongo o tempo,
Em silêncio.


Beijos
J.

Entre folhas ... Exilios momentãneos ...

A lembrança
Aquecendo-me as veias
Uma flor a ponto de abrir-se,
Nova,
Lambendo o sabor doce
Do seu néctar,
As suas carícias
Nunca são suficientes
Retorna a minha mente
Como já não ausente.

Sufocação,
Acaloramento,
Incêndio por apagar
Algo do que tem passado
Entre os nossos corpos,
No meio de um amor que geme
E chora ao mesmo tempo.

Tremo de emoção
Quando me olhas,
Nu e sem complexos,
As partes,
Mais complexas do meu corpo,
Tanto amor,
E tão completo,
Deixam o meu coração
Ao descoberto.

Entre as minhas mãos
Escondia as letras
De um poema embelecido,
Parecesse,
Mais um punhado de letras,
Desordenadas que o azul,
Descomponha,
Formando estrelas.

No céu
Corpos nus,
Em silêncio,
Amor de pássaros nocturnos,
Percorrem-me,
A evocação tem,
Cor de sangue intensa,
Que percorrem as minhas veias,
E a minha língua deleita.

O amor que bate,
Reverdeja ao mundo,
Aos nossos olhos
Cálidos olhares,
Com raízes cada vez mais profundas,
Umas lágrimas que padecem
Pelo tempo,
Que nos obriga a estar juntos,
E o tempo finca-se-me
Nas entranhas,
Quando te dispo
Com os olhos fechados,
O amor profundo
Que encerras discreta.

A nostalgia
Apodera-se-me
Sem debilidades,
E o amor como fronteira,
Ou do amar como prefiras.

Beijos
J.

Entre folhas ... Silêncios nocturnos ...

Quando o silêncio da
Noite se aproxima,
E chega até ti,
Acariciando as horas,
Que ontem à noite
Estavam unidas,
E quando em mim,
Instala a nostalgia
De te ter tido,
Intensamente,
Sem estar dentro do teu corpo,
Tendo bebido da fonte
Do teu amor,
Pensarei em ti,
Como o primeiro dia,
Que te vi,
Acariciando as horas
Que pela primeira vez me disseste
Amo-te.

E quando em ti
Instala a nostalgia
De não me teres na próxima noite,
Pensa no amor que te professo,
Hoje,
Amanhã,
Permanente,
Intenso.

Permanente é o tempo,
De amar intensamente,
Sem pedir a mudança,
O entregar tudo
Sem tempos,
Sem reparos.

Pensa como te penso,
E sentirás como te sinto,
Sem trégua,
Sem descanso,
Sem alento,
Ainda que acabe despedindo-me.


Beijos
J.

Entre folhas ... Numa estrela ...

Numa estrela
O teu corpo,
O sabor alegre do homem,
Que sabe se entregar,
A mulher que tudo entrega,
O prazer mútuo
De se acariciar,
A plenitude de se atingir,
Sabendo que a palavra impossível
É desterrada do tempo.

A noite cai,
E até as estrelas
Pronunciam o teu nome,
Vai o desvelo,
Enquanto as flores
Silenciosamente crescem
Como o nosso amor.

Num instante de silêncio,
Que sabe a perpétuo.

Beijos
J.