Entre folhas ... agulhas oxidadas ...




Como agulhas que se espetam nas palavras,
na epiderme que me acolhe à noite
independentemente do que dizem,
para não ferir o que já padece em demasia.

Invadido pela noite, apesar de já ser dia,
os sonhos que não foram cumpridos,
abraços, como aranhas entre os olhos,
as madrugadas de desejos,
enterrados.

Admitir um pouco da bondade humana,
um pouco de calor de uns lábios húmidos,
um hino ao amor,
sem justificações,
um pouco do que falta ou não sei,
estendo os meus braços ao vazio,
do nada,
encontro agulhas oxidadas,
as palavras,
feitas de trapos, mesquinhez
esse desejo com preço que ninguém pagará...

Exceto a melhor metáfora da alma
onde os desejos se escondem,
e os sonhos repoisam entre agulhas
oxidadas.


Beijos
J.

Entre folhas ... Inequívoco e livre ...



Escuto o som das palavras
lento,
peregrino das minhas emoções
assumo o risco de equivocar-me
sem temores,
nem receios,
maduro é o vocábulo que sai da minha boca.

Fico com a minha voz e a minha palavra,
com o meu sentido da disciplina
do amor que se sente fiel,
ao mesmo tempo
inclino-me pelo amor,
ante o desafio da incompreensão.

Trato de repetir até à saciedade
o que diz não se compreender,
sem temor a que não coincidam
os meus pensamentos adiante do que lê,
antes de mais, nada tenho por paciência,
o meu tempo,
e por amor a uma alma
inquieta e generosa que com tudo pode.

Inequívoco e livre,
quem não me entende,
que pergunte,
ainda que tratem de averiguar
a minha resposta
não a dêem por dita,
se os meus lábios não a assumirem.

Beijos
J.

Entre folhas ... A filha de Atlas e Pleione…



A filha de Atlas e Pleione…

Aparece branca na noite,
parceira de viagens virtuais,
amor, calor, morno sentimento,
como o sol que me ilumina,
quando está escura a minha alma.

Ansioso o meu coração soltou
o primeiro poema que lhe fiz,
se alegram as minhas letras
e dançam nas ocasiões para cantar boleros,
como disse entre os teus lábios,
não,
não se apresentam diariamente,
não.

És a afirmação da minha vida,
entre tanta negação,
de sonhos.

Enquanto brincam as plêiades,
Mérope orgulha-se
dos seus actos…
eu sou mortal.

E não estive com ela.

Beijos
J.