Entre folhas ... incerto ...



Unifica o silêncio
em solidão,
harmonia e presença,
sem tratar de procurar
o encontro do amor
no nosso eu mais íntimo.

O que chega de fora
Confunde-nos cm tumultos,
há pessoas que dizem se ter
quando na realidade se querem.

A mesma solidão que as une
as separa de uma causa,
parecida à chamada palavra
justiça.
Ninguém costuma compreender o injusto
da mesma forma, e ninguém
costuma ter a culpa quando se apresenta.

Beijos
J.

Entre folhas ... Nevoeiro cerebral ...




Uma neblina,
um segredo de dúvidas
tira-me a voz e deixa-me nu,
o deserto é um remanso de paz
onde o silêncio corrompe almas,
fracassam os beijos que te outorgo
impera a lei do que mais grita,
nus e diminutos,
as gretas
mais profundas,
as feridas
mais ásperas,
e a vontade de as sanar…

Por sorte,
tornam-se
bem mais importantes,
duas,
somos duas feridas das almas
dois impulsos sepultados,
e entre tanta multidão não escutamos
o pulso frenético da ternura,
que nós temos.

Sem sermos capazes de demonstrá-lo,
ninguém te quer tanto,
como eu te quero.

Devora o meu corpo debilitado,
e se a minha ingrata presença
comeu as tuas palavras,
a minha torpe cegueira é sábia,
tanto,
como os meus erros.

Beijos
J.

Entre folhas ... Sem rumo ...



Perco-me entre uma essência serena,
encontro-me de manhã intranquilo
e dá-me forças meu Deus,

para levar
esta vida que me cansa,

e passa,
e envelhece,

ditando os meus argumentos
sem argucias,
sem estratégias,
eu sou o estratega desta batalha
travada comigo mesmo,
condenada a perder entre os mortos
de quem viveram padecendo
na sua condenação ditada de antemão,
e da mão do destino.

…E não me queixo (sem causar prejuízos),
nem pretendo justificar os meus factos.

Facto esse,
fica,

sem remorsos.

Beijos
J.