Entre folhas ... Pouca vontade


Quase sem vontade,
corpo evitando a queda,
passeias pela minha pele,
só observas,
hoje os teus dedos desenham curvas.

As pontas dos teus dedos
assumem no meu acordar
um nascer pleno de lembranças
de uma tarde de Inverno.

Pensamento escondido
gerador de belas lembranças
assumem no meu acordar
corações púrpuras,
és tu,
a saliva que alimenta
os meus lábios sedentos,
a que brinca com as virgulas
das *conjunções copulativas
do verbo que nos envolve.

Desaparece a solidão
quando na noite apareces
discreta,
acordas-me e beijas-me
desaparecendo.

De alguma tormenta refletida
reflete-me,
e espanta-me
saber que estendo os braços
sem encontrar-te por perto.

Uma vírgula da minha vida é suficiente
quando penso em ti
e estás ao meu alcance,
sendo o futuro presente
dos pontos suspensos,
que nos envolvem distantes.

Beijos
J.

Entre folhas ... Cadências corruptas ...


Não conheço outro idioma
que aquele pronunciado pelos seus olhos,
do verbo em seus lábios,
sábio conselho de alquimia
inútil em palavras.

Não compreendo outra cadência
que não seja a de amar e respeitar,
ainda que em realidade chore,
e a lua recolhe lágrimas
de espuma ausentes,
das suas mãos.

Livre de pronunciar umas palavras
bebendo do copo dos seus batidos,
irresponsável nos seus atos,
implícita de toda a razão conhecida,
assume a tempestade que a cobiça,
um monólogo dela mesma
uma e outra vez,
viajante de ida e volta
capaz de assumir
o que não é seu,
nessa tessitura caminha
às custas com as suas próprias respostas,
sem lhe importar o cheiro
que emana
da sua língua comprida,
 respondendo
a tudo o que não se lhe pergunta.

Ainda que chore noite após noite
as suas próprias luas
não recolherão essas lágrimas opostas,
que derramam
dos seus olhos confusos,
não conheço outra cadência,
que amar
com os olhos bem abertos, e o coração
ao descoberto.

Sempre há viajantes de ida e volta.

Beijos
J.

Entre folhas ... Amarrar ...


Tenho voltado a sonhar
com o incompreendido,
acordo e refugio-me no teu colo,
sonho povoado pelos teus olhos
brilhantes,
vou vivendo a potes de dor,
sentindo que sem ti
sou menos sonhador,
distorço as distâncias das horas,
refugiando-me numa vida
que é uma estanca,
fazem-se-me os sonhos
de uma realidade próxima
e espanto-me com a dor sem a malícia
do que não pensa no outro,
pudesse ser que o meu ego quisesse.

Amarrar alma com alma,
palma com palma,
poro com poro,
unir o meu sentir aos teus sentimentos
para ir  vivendo entre folhas,
que o tempo não desfaz.

Beijos
J.

Entre folhas ... Lábios com carmim ...



 Deixa no nosso leito
os teus beijos,
as palavras  pronunciadas,
recolhe a tua roupa,
as tuas vivências
os teus amores e foge,
para  um lugar afastado
do meu esquecimento,
onde possa recordar-te
de tanto em tanto,
para saber que exististe para além
do imaginado,
perto das nossas noites.

Deixa-me o sabor
dos teus lábios carmim esmaltado
ao lado das fotografias,
os restos do café
da cada amanhã,
os teus aromas,
as pontas dos cigarros,
deixa-me os teus sonhos
intactos,
os meus acompanhar-te-ão,
amor, amor,
por onde quer que vás,
 recorda-me,
sempre sublime
serás uma lembrança
do meu esquecimento
onde possa
recordar o meu desejo,
quando queira
e sem compromissos.

Foge,
ao mesmo tempo que passa a vida
sem contradições;
apreciáveis.

Beijos
J.

Entre folhas ... Tão cúmplices ...


Tão cúmplices
estas nossas bocas
tão dos nossos felizes momentos,
desfazem-se em água,
os meus lábios ao pensar-te.

Quero que sejas sempre
a menina que conservas,
amar com a maturidade dos teus anos,
amar a tua pele,
redescobrir-te como
a primeira vez,
tanto amor
tem de se saciado,
ser trepado,
e a cada degrau
um percurso pelo teu corpo,
degrau a degrau
sublimes chegamos
a perder a noção do tempo,
a nos perder de amor
no calor
que os nossos corpos
desprendem.

ai amor, amor, amor.

Desprendendo estrelas fugazes
encontramo-nos,
enquanto a lua brilha
e o mar nos separa,
o sol parece acariciar-nos,
enquanto a vida passa
amando-te,
avança a passo curto,
descubramos o desconhecido juntos
digamos que o amor
nunca o conhecemos.

Vamos ser meninos
outra vez,
Como da primeira vez,
não me importo,
desprender dos sonhos
nem me importa,
de  saciar os meus desejos,
mais íntimos,
contra o profundo
da gruta do teu corpo.

Beijos
J.

Entre folhas ... Olha mulher ...


Olha mulher,
não me olhes,
quando te olho
posso causar
um incêndio,
tu tens oxigeno
eu tenho a chispa.

Olhe mulher,
que faz tempo
que fui de pedra,
agora,
sou vulcão ardente.

Deixa-me esta noite
que rompa com
as minhas ondas
o centro do teu corpo.

Em qualquer
dos teus leitos
deixa-me embater
contra a tua rocha,
banhando-nos em espuma.

Até apagar o incêndio...

Beijos
J.

Entre folhas ... Amante eterno ...


Quero morder os teus lábios,
secar os teus olhos
bordear-te os seios
roubar-te o tempo,
acariciar o teu pensamento
sentar-me nas tuas lembranças
molhar-me nos teus
interiores,
morrer no teu inferno
para ressuscitar de novo,
e tentá-lo novamente
ser teu amante eterno,
sendo-o.

sem pretendê-lo.

Beijos
J.

Entre folhas ... Alquimia de um dogma ...


Ilusionista da vida,
alquimista de ilusões
saltimbanco de palavras,
equilibrista  das minhas noites
ou dos meus dias,
da minha loucura aparente,
transparente,
tratem de fazer insinuações,
com razões,
vivo olhando o infinito,
sabendo que não está
para além deste instante em que escrevo,
deste instante
que comigo falo,
ou me indago ou me adivinho,
sobre uma lua cheia,
que por brilhante ser
faz a minha vida andar às escuras
nesta tessitura.

Perdoem-me que hoje
não lhes fale de amor,
nem de amar,
está a minha consciência dividida
e com ela nunca gosto de brincar,
a minha consciência
e o meu amor
hoje estão reunidos
enquanto trato de enganar
as minhas palavras,
outros enunciam
os meus atos,
sem importar-me,
sou um dogma de uma fé sem nome.

Há vezes sem conta,
que me estremece
um olhar,
e outras
que faço estremecer
os sete sábios
da Grécia,
conjurando com eles,
a minha demência.

Beijos
J.

Entre folhas ... Esperas inquietas ...


Dorme na tua almofada
a palavra não florescida,
o beijo não outorgado,
o instante compartilhado,
a calidez de uns braços que te cobrem,
as mãos que te acariciam,
que te circundam,
dormem na tua almofada os sonhos não vividos,
as ilusões tantas vezes pensadas,
não acometidas.

Dormem no meu leito
intranquilos,
todas estas sensações que dão sentido
às horas escuras que vão
até à claridade.

Dorme o tempo que não tem sido,
dorme intranquilo o meu amor,
dorme tudo o que sonha
converte-se no meu pensar,
nossos rostos
enlaçados
dormem na clareza,
dorme coração tranquilo,
que os sonhos vêm e vão,
como as águas no mar.

Dorme no leito da minha alma
a tua figura e a minha,
esperar…

Beijos
J.

Entre folhas ... Oculto entre o nevoeiro ...


Sei quem és porque foste
acompanhando os meus passos,
estiveste nas ausências,
nas horas das minhas noites,
sei quem és ainda quando os teus lábios
não me pronunciam,
estiveste a brincar,
muito próximo da minha
essência,
nesta lonjura não cabe recordar os
substantivos,
há vezes que sou pele oculta entre o nevoeiro,
outras tão próximo e sensível às tuas
ausências,
que se detêm a meu tempo
 a distância de um instante,
fugaz,
a solidão da noite , sinto-a
menos fria
que o corpo ardente de que não tive ,
nem o teu aroma de primavera solarenga,
nem a tua água,
abraço-me à tua lembrança na primeira pessoa,
sendo a terceira, a que te contempla
doce,
mulher,
fugaz como a nota composta de um arpejo,
sons de um amor bem estruturado dos
anos
da juventude  primaveril,
que ainda te chama,
da maturidade acompassada de ilusões
terna como o mais terno dos talos,
de seios duros e complacentes
olhares.

Sei quem és porque ainda me acelera o
pulso pensando-te,
as minhas lembranças mantêm-se vivas
como se ontem estivesse ao teu lado,
aceleram-se as artérias e propagam sangue
pelas minhas veias
ainda não perdendo o julgamento,
não me engano.

Mulher ,
vi-te através da tua nudez,
o meu pretérito perfeito,
não me tentes
a percorrer  a tua geografia numa única viagem
sem volta.

E tentou vir procurar-me.

Beijos
J.

Entre folhas ... Vidas ocupadas …


Sendo como sou um caminhante
da vida,
de passo livre,
de liberdade,
não me acuso,
nem acuso ninguém de ser quem é
ou como é,
são os meus passos
de vir todos os meus dias,
ver a luz do dia,
as minhas noites
compartilho-as com quem gosto,
e em sonhos represento o amor,
e sempre esse amor ,
tem rosto.

Sendo como sou,
não revelo segredos,
sonhos,
amarguras,
ainda que represente
nestes instantes escritos
de uma vida,
que não pesa,
e passa cavalgando
entre os meus e os teus olhos,
o teu silêncio a destaca,
o teu rosto manifesta-se,
enquanto escrevo e
pronuncio o teu nome.

Amor.

Ocupação invisível
do teu coração,
a vida passa,
não nego que doa
onde nunca o pronuncie.

Beijos
J.

Entre folhas ... Lua de duas faces ...


O amor tal como a lua
tem duas faces,
a que se vê,
e a que ansiamos,
Como estrelas fugazes escapam
das mãos,
as mãos que ansiamos,
esperamos o momento de
um eclipse total,
onde ninguém nos conheça,
para nos amar,
ou entrelaçar o amor
entre os lençóis.

Em silêncio.

Hoje há um eclipse de sol,
nos nossos olhos.

Beijos
J.